terça-feira, 8 de março de 2011

Do direito das mulheres negras se sentirem mulheres

Por Neusa Baptista
Núcleo Maria Maria CUFA MT

Há cerca de duas semanas, cortei curtinho meu cabelo. O cabelo, aliás, me surpreende a cada dia com sua capacidade de revelar e provocar. Foi o que aconteceu desta vez.Por onde eu andava, cabeças masculinas e femininas se viravam para ver meu cabelo. A princípio, pensei comigo mesma: o que foi que eu fiz? Sentia-me menos mulher e ao mesmo tempo pensava: agora preciso me vestir com muita feminilidade, pois com este cabelo curto, posso passar por homem. De repente me vi numa loja de 1.99 em meio a tic tacs, lacinhos, brincos coloridos e outras coisas. Na ânsia de mostrar o quão feminina era, tornei-me mais feminina mesmo. Em atos e palavras. Por que isso não tinha acontecido antes? Com meu cabelo crespo e curto, recebi muitos olhares de reprovação, riso, espanto. Além de crespo, ainda curto! Pasmem! Comentei com meu cabeleireiro (Jair Vip’s, um beijo!) que “mulher de cabelo curto sofre preconceito” e ele ficou espantado!
Aos poucos, fui me acostumando e aprendendo a ‘dominar’ o meu curtinho, de modo que ele parecesse ao mesmo tempo, natural e bem cuidado. Engraçado, é só a gente começar a se achar bonita que as pessoas em volta fazem coro! O contrário também acontece, claro. Quer que os outros falem bem de você? Comece a falar bem de você. E isso não pode ser do tipo “Eu sou o máximo”, mas do tipo “ Nós podemos ser o máximo juntos”. Piegas né? Não consegui pensar em nada melhor. rs. Enfim.
O meu cabelo curtinho me obrigou a pensar mais em minha feminilidade. E isso se deu ainda somado ao fato de ele ser crespo. Isto é, geralmente, os homens negros utilizam o cabelo raspado e as mulheres alisado. Portanto, o fato de eu ser negra não me ajudava muito mesmo. Mas se tem uma coisa que eu gosto é de chamar a atenção para o meu cabelo! Sério. Quando meu cabelo não chama a atenção, eu acho que ele não cumpriu seu papel, que é o de ser mensageiro de algo positivo sobre a negritude. Enfim. Tal como ocorreu há muitos anos com o meu penteado rastafári, o curto que a princípio parecera ‘feio’ e ‘masculino’ se revelou, na verdade, versátil, irreverente, delicado e feminino!
Mas a meu ver, isso só aconteceu porque era crespo, e porque eu sou negra, e sou mulher. Muitos papéis, significados, lugares, atitudes a tomar... Para pra pensar: se a mulher branca (ou não negra) já tem problemas, pensa na negra. Pensa. Então, por isso quando vejo uma mulher negra se destacando, não sei da vida íntima dela, mas imagino que deva ter enfrentado alguns obstáculos que poderiam ter sido evitados se o País fosse menos racista, machista etc.
Por isso, neste 8 de Março, um abraço especial a todas as mulheres pretas (negras, pardas, índias, gordinhas, baixinhas, comuns) do Brasil. Vocês são foda.


domingo, 6 de março de 2011

3º Encontro de Hip Hop – Consciência Periférica

A Central Única das Favelas (CUFA) realizará nesta terça-feira (08), a partir das 11:30 h, em Campina Grande no SESC Centro, o 3º Encontro de Hip Hop – Consciência Periférica, dentro do 20° Encontro da Nova Consciência, com tema "O HIP HOP COMO FERRAMENTA EDUCACIONAL”.
A mesa terá convidados como a Rapper e produtora cultural Kalyne Lima (PB), o Educador e Dj Thiago Alcântara (PB), o Vereador Cassiano Pascoal (PB), a Coordenadora de Educação da Prefeitura Municipal Kátia Mesquita (PB) e o Educador Ivan de Paula (PB).
O coordenador municipal da CUFA, Hugo Rafael, ressalta a importância do movimento como ferramenta educacional. “O Hip Hop é uma forma de inclusão social e alternativa na vida dos jovens das grandes cidades, mostrando-lhes assim um caminho para melhoria de vida, os tornado seres pensantes, críticos e cultos”, destacou.
O evento está voltado para ativistas e integrantes do Hip-Hop, educadores, pessoas apreciadoras e pesquisadoras da cultura, e também para os que querem conhecer parte da complexidade desse universo cultural. De maneira geral, configura-se de diferentes maneiras, para troca de experiências, novas aprendizagens, ampliação de redes e atuação artística e política.


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Parceria em prol do desenvolvimento humano e social

Por Sofia Antonácio – CUFA Ceará

Celso Athayde da CUFA RJ, Raphael Vandystadt da TV Globo e Karina Santiago, vice presidente da CUFA

O diretor de projetos sociais da Rede Globo, Raphael Vandystadt, esteve presente no VI Encontro Nacional da CUFA em um debate sobre “Ações de Responsabilidade Social da Rede Globo e as organizações do Terceiro Setor” e conversou com os membros da entidade.

Atividades da CUFA em pareceria com a emissora em prol da mobilização social em ações arrecadação de alimentos para vitimas das enchentes pelo Brasil, Ação Global, campanhas contra a dengue entre outras, foram pontos da conversa, já que a idéia era fortalecer uma parceria entre a sociedade civil organizada (CUFA) com a empresa privada (Globo) para em prol desenvolvimento humano e social.

Também foram ressaltadas as ações sociais que a emissora realiza, como: Criança Esperança, Ação Global, Projeto Esporte Cidadania, entre outras. Também nestas ações a CUFA é parceria da Rede Globo em alguns estados como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

No final do encontro, o convidado parabenizou a CUFA e a definiu como uma das melhores entidades do Brasil, além de elogiar a sempre disponibilidade da CUFA para apoiar os projetos da emissora.


Favela e a (r)evolução digital

Ivana Bentes e Marcelo Branco participaram do 6º Encontro Nacional da CUFA e falaram sobre o uso das mídias sociais pela entidade

Por Fernanda Quevedo CUFA MT
Fotos Ivan d'Paula CUFA PB


Fernanda Quevedo, Ivana Bentes e Marcelo Branco

Nada melhor do que potencializar o núcleo de comunicação para que idéias e ações possam ser cada vez mais vascularizadas a fim de mobilizar pessoas, entidades, poder público e privado em torno de ações que promovam o desenvolvimento social. Pensando nisso, Ivana Bentes e Marcelo Branco, dois grandes comunicadores do país, foram convidados para democratizar seus respectivos conhecimentos com os comunicadores da CUFA em seu sexto Encontro Nacional. O bate papo aconteceu no dia 17 de fevereiro em Fortaleza (CE).

A idéia era que Marcelo Branco e Ivana Bentes pudessem traçar um panorama das discussões acerca da Cultura Digital Livre no país, afim de que os comunicadores da CUFA que ainda não estavam atentos a esse debate pudessem se informar, e também potencializar aqueles que já têm aproximação e práticas com o assunto. Ou seja, a missão era falar para leigos e não leigos, de forma que todos pudessem entender e se estimular. Difícil? Nem tanto. Marcelo e Ivana foram geniais.

Marcelo Branco, idealizador da Campus Party no Brasil e militante da Cultura Digital Livre no pais, falou sobre as novas formas de organização social, política e econômica em rede, tendo com uma das ferramentas, as mídias sociais. Tanto as mídias sociais como as redes sociais na internet dão o novo tom da “(re)volução” social no mundo, e mais do que uma revolução tecnológica as redes e as mídias contribuem para o aumento da inteligência coletiva, que por sua vez, impacta diretamente na vida das pessoas que moradoras de favelas, quando democratizadas de forma substancial.

Ivana Bentes, parceira da CUFA em ações sociais de áudio visual e também coordenadora da faculdade de comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, reforçou as inúmeras ações que a CUFA já vem fazendo, por meio das redes e mídias sociais na internet. Depois de um breve histórico da evolução das mídias sociais, Ivana falou sobre como estas começam a pautar de forma significativa os veículos de comunicação de massa e também a vida das pessoas.

Ao final das explanações, cufianos questionaram os mais diversos pontos e também apresentaram exemplos de caso, como os “twittaços”, a troca de conhecimento, e agregação de novos membros e base. A mesa sobre Cultura Digital no Encontro Nacional da CUFA, foi um misto de conversa e debate entre pretos, brancos, favela, asfalto, tudo em um mesmo espaço, se comunicando para o tão sonhado “mundo melhor”.


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